Levítico
(Lv)
Escritor: Moisés
Lugar da Escrita: Ermo
Data: Cerca de 1445-1405 a.C.
O nome mais comum do terceiro livro da Bíblia é Levítico, que vem de
Leu·i·ti·kón da Septuaginta grega, através do "Leviticus" da Vulgata
latina. Este nome é apropriado, embora os levitas sejam mencionados
apenas de passagem (em Levítico 25:32, 33), pois o livro consiste
principalmente em regulamentos para o sacerdócio levítico, escolhido da
tribo de Levi, e em leis que os sacerdotes ensinavam ao povo: "Pois, são
os lábios do sacerdote que devem guardar o conhecimento e da sua boca
devem as pessoas procurar a lei." (Mal. 2:7) No texto hebraico, o livro
é chamado segundo a sua expressão inicial, Wai·yiq·rá´, literalmente: "E
ele passou a chamar." Entre os judeus posteriores, o livro era também
chamado de Lei dos Sacerdotes e Lei das Ofertas. Lev. 1:1.
Não resta dúvida de que Moisés escreveu Levítico. A conclusão, ou
colofão, declara: "Estes são os mandamentos que Deus deu a Moisés." (Levítico
27:34) Há uma declaração similar em Levítico 26:46. As evidências
apresentadas anteriormente, de que Moisés escreveu Gênesis e Êxodo,
comprovam também que ele escreveu Levítico, visto que o Pentateuco
evidentemente era originalmente um só rolo. Além do mais, Levítico é
ligado aos livros precedentes por meio da conjunção "e". O mais forte
testemunho de todos é que Jesus Cristo, bem como outros servos
inspirados de Deus, citam freqüentemente as leis e os princípios de
Levítico ou referem-se a eles e os atribuem a Moisés. Lev. 23:34, 40-43
Nee. 8:14, 15; Lev. 14:1-32 Mat. 8:2-4; Lev. 12:2 Luc. 2:22; Lev. 12:3
João 7:22; Lev. 18:5 Rom. 10:5.
Que período abrange Levítico? O livro de Êxodo termina quando se
erige o tabernáculo "no primeiro mês, no segundo ano, no primeiro dia do
mês". O livro de Números (que se segue imediatamente ao relato de
Levítico) começa com Deus falando a Moisés "no primeiro dia do segundo
mês, no segundo ano da saída deles da terra do Egito". Segue-se,
portanto, que não poderia ter passado mais de um mês lunar para os
poucos eventos de Levítico, consistindo a maior parte do livro em leis e
regulamentos. Êx. 40:17; Núm. 1:1; Lev. 8:1-10:7; 24:10-23.
Quando Moisés escreveu Levítico? É razoável concluir que ele
guardou um registro dos eventos ao passo que iam ocorrendo, e que
escreveu as instruções de Deus à medida que as recebia. Isto é implícito
na ordem de Deus a Moisés de escrever a condenação dos amalequitas logo
após Israel tê-los derrotado em batalha. Ademais, certos assuntos no
livro sugerem que foi escrito logo. Por exemplo, ordenou-se aos
israelitas trazer animais que desejassem usar para alimentação à entrada
da tenda de reunião, para serem abatidos. Esta ordem teria sido dada e
registrada pouco depois do estabelecimento do sacerdócio. Muitas
instruções são dadas para a orientação dos israelitas durante a sua
viagem no ermo. Êx. 17:14; Lev. 17:3, 4; 26:46.
Por que se escreveu Levítico? Deus se propusera a ter uma nação
santa, um povo santificado, colocado à parte para Seu serviço. Desde os
dias de Abel, homens fiéis de Deus vinham oferecendo sacrifícios a Deus,
mas foi primeiro à nação de Israel que Deus deu instruções específicas
sobre ofertas pelo pecado e outros sacrifícios. Estes, segundo explicado
em pormenores em Levítico, deixaram os israelitas cientes da excessiva
pecaminosidade do pecado e incutiu-lhes na mente quão desagradáveis isto
os tornava aos olhos de Deus. Tais regulamentos, como parte da Lei,
serviram como tutor conduzindo os judeus a Cristo, mostrando-lhes a
necessidade de um Salvador, e, ao mesmo tempo, serviam para mantê-los
como povo separado do resto do mundo. Em especial as leis divinas sobre
pureza cerimonial serviram para este último objetivo. Lev. 11:44; Gál.
3:19-25.
Como nova nação caminhando para uma nova terra, Israel necessitava de
direção correta. Ainda não passara um ano desde o Êxodo, e os padrões de
vida do Egito, bem como as suas práticas religiosas, ainda estavam vivos
na mente deles. O casamento entre irmão e irmã era comum no Egito.
Praticava-se a adoração falsa em honra de muitos deuses, alguns deles
sendo deuses animais. Agora esta grande congregação estava a caminho de
Canaã, onde a vida e as práticas religiosas eram ainda mais degradantes.
Mas, observe de novo o acampamento de Israel. Engrossando a congregação
havia muitos egípcios puros ou mestiços, uma multidão mista que vivia
bem no meio dos israelitas e que nascera de pais egípcios e fora criada
e instruída segundo os costumes, a religião e o patriotismo dos
egípcios. Muitos destes, sem dúvida, até bem pouco antes, na sua terra,
entregavam-se a práticas detestáveis. Quão necessário é que recebam
agora orientações pormenorizadas de Deus!
Levítico traz em sua inteireza a marca da inspiração divina. Meros
humanos não poderiam ter formulado as suas leis e seus regulamentos
sábios e justos. Os seus estatutos relativos à alimentação, doenças,
quarentena e tratamento de cadáveres revelam um conhecimento de fatos
que os homens da medicina, do mundo, só vieram a conhecer milhares de
anos mais tarde. A lei de Deus sobre animais impuros para alimentação
protegeria os israelitas durante a sua viagem. Ela os protegeria contra
a triquinose provinda de porcos, a febre tifóide e paratifóide de certos
tipos de peixe e infecções provindas de animais encontrados mortos.
Estas leis práticas visavam orientar a religião e a vida deles, para que
permanecessem como nação santa e atingissem e habitassem a Terra
Prometida. A história mostra que os regulamentos fornecidos por Deus
resultaram em os judeus levarem definida vantagem sobre outros povos em
questões de saúde.
O cumprimento das profecias e das prefigurações contidas em Levítico
prova adicionalmente a sua inspiração. Tanto a história sagrada como a
secular registram o cumprimento dos avisos de Levítico sobre as
conseqüências da desobediência. Entre outras coisas, predisse que mães
comeriam seus próprios filhos, por causa da fome. Jeremias indica que
isto se cumpriu na destruição de Jerusalém, em 607 aC, e Josefo conta
que isso aconteceu também na destruição posterior da cidade, em 70 dC. A
promessa profética de que Deus se lembraria deles, se eles se
arrependessem, cumpriu-se no retorno deles de Babilônia, em 537 aC. (Lev.
26:29, 41-45; Lam. 2:20; 4:10; Esd 1:1-6) Como testemunho adicional da
inspiração de Levítico, há as citações que outros escritores da Bíblia
fazem dele como sendo Escritura inspirada. Além dos textos citados
anteriormente para provar que Moisés é o escritor, queira consultar
Mateus 5:38; 12:4; 2 Coríntios 6:16 e 1 Pedro 1:16.
"Eu sou o Senhor." O tema de santidade permeia Levítico, que
menciona este requisito mais do que qualquer outro livro da Bíblia. Os
israelitas deviam ser santos porque Deus é santo. Certas pessoas,
lugares, objetos e períodos foram reservados como santos. Por exemplo, o
Dia da Expiação e o ano do Jubileu foram reservados como períodos de
observância especial na adoração de Deus.
Em harmonia com a sua ênfase à santidade, o livro de Levítico frisa o
papel que o derramamento de sangue, isto é, o sacrifício de uma vida,
desempenhava no perdão dos pecados. Os sacrifícios de animais
limitavam-se aos animais domésticos e limpos. Para certos pecados,
requeria-se a confissão, a restituição e o cumprimento de uma
penalidade, além do sacrifício. Para outros pecados, a penalidade era a
morte.
CONTEÚDO DE LEVÍTICO
Levítico consiste na maior parte em escrita legislativa, grande parte
dela sendo também profética. No todo, o livro segue um esboço tópico, e
pode ser dividido em oito partes, que seguem uma ordem sucessiva
bastante lógica.
Regulamentos sobre sacrifícios (1:17:38). Os diversos sacrifícios
caem em duas categorias gerais: de sangue, consistindo em bovinos,
ovelhas, cabritos e aves; e exangues, consistindo em cereais. Os
sacrifícios de sangue devem ser apresentados como ofertas (1) queimadas,
(2) de participação em comum, (3) pelo pecado ou (4) pela culpa. Os
quatro tipos de oferta têm as seguintes três coisas em comum: o próprio
ofertante tem de trazer o animal à entrada da tenda de reunião, colocar
as mãos sobre ele e daí o animal tem de ser abatido. Depois da aspersão
do sangue, é preciso dar destino à carcaça segundo a espécie de
sacrifício. Consideremos agora os sacrifícios de sangue, um por vez.
(1) As ofertas queimadas podem consistir num
novilho, cordeiro, cabrito, rola ou pombo, dependendo das posses do
ofertante. Têm de ser cortadas em pedaços e, com exceção da pele,
a oferta toda tem de ser queimada sobre o altar. Em caso de rola ou de
pombo, a cabeça tem de ser truncada com a unha, mas não decepada, e o
papo e as penas removidos. 1:1-17; 6:8-13; 5:8.
(2) O sacrifício de participação em comum pode ser
de um macho ou uma fêmea dos bovinos ou dos rebanhos. Só as
partes gordurosas serão queimadas sobre o altar, certas porções cabendo
ao sacerdote e o resto devendo ser comido pelo ofertante. É chamado
apropriadamente de sacrifício de participação em comum, pois, mediante
ele, o ofertante participa de uma refeição, ou tem comunhão, por assim
dizer, com Deus e com o sacerdote. 3:1-17; 7:11-36.
(3) Exige-se uma oferta pelo pecado para pecados
não intencionais, ou pecados cometidos por engano. O tipo de
animal oferecido depende de quem é o pecado que será expiado do
sacerdote, do povo como um todo, dum chefe ou duma pessoa comum.
Dessemelhantes das voluntárias ofertas queimadas e de participação em
comum para indivíduos, as ofertas pelo pecado são obrigatórias. 4:1-35;
6:24-30.
(4) As ofertas pela culpa são exigidas para expiar
a culpa pessoal devido à infidelidade, à fraude e ao roubo. Em
certos casos, a culpa requer que se confesse e se faça um sacrifício
segundo as posses da pessoa. Noutros, exige-se a compensação equivalente
à perda e mais 20 por cento, bem como o sacrifício de um carneiro. Nesta
parte de Levítico, que trata das ofertas, proíbe-se enfática e
repetidamente o comer sangue. 5:16:7; 7:1-7, 26, 27; 3:17.
Os sacrifícios exangues têm de ser de cereais e são oferecidos quer
assados inteiros, quer pilados ou em farinha fina; preparados de vários
modos, tais como assados, grelhados ou fritos em gordura. Devem ser
oferecidos com sal e azeite e, às vezes, com olíbano, mas têm de estar
totalmente isentos de fermento ou mel. Em certos sacrifícios, uma parte
pertencerá ao sacerdote. 2:1-16.
Investidura do sacerdócio (8:1-10:20). Chega então o tempo para
uma grande ocasião em Israel, a investidura do sacerdócio. Moisés cuida
disso em todos os pormenores, como Deus lhe ordenara. "E Arão e seus
filhos passaram a fazer todas as coisas que Deus ordenara por meio de
Moisés." (8:36) Depois dos sete dias ocupados com a investidura, há um
espetáculo milagroso e fortalecedor da fé. A assembléia inteira está
presente. Os sacerdotes acabam de oferecer sacrifício. Arão e Moisés já
abençoaram o povo. Daí, veja! "A glória de Deus apareceu . . . a todo o
povo. E desceu fogo de diante de Deus e começou a consumir a oferta
queimada e os pedaços gordos sobre o altar. Quando todo o povo chegou a
ver isso, irromperam em gritos e prostraram-se sobre as suas faces."
(9:23, 24) Deveras, Deus é digno da obediência e da adoração deles!
Contudo, há transgressões da Lei. Por exemplo, os filhos de Arão, Nadabe
e Abiú, oferecem fogo ilegítimo perante Deus. "Saiu então fogo de diante
de Deus e os consumiu, de modo que morreram perante Deus." (10:2) A fim
de oferecerem sacrifícios aceitáveis e gozarem da aprovação de Deus,
tanto o povo como os sacerdotes têm de seguir as instruções de Deus.
Logo depois, Deus dá o mandamento de que os sacerdotes não devem tomar
bebidas alcoólicas enquanto servem no tabernáculo, dando a entender que
a embriaguez talvez tenha contribuído para a transgressão dos dois
filhos de Arão.
Leis sobre a pureza (11:1-15:33). Esta parte trata da pureza
cerimonial e higiênica. Certos animais, tanto domésticos como selvagens,
são impuros. Todos os corpos mortos são impuros e tornam impuros a todos
os que neles tocam. O nascimento duma criança também traz impureza e
requer separação e sacrifícios especiais.
Certas doenças da pele, como a lepra, também causam impureza cerimonial,
e a limpeza tem de ser aplicada não só a pessoas, mas também à roupa e
às casas. Requer-se o isolamento. A menstruação e as emissões seminais
resultam também em impureza, bem como os fluxos. Requer-se a separação
nestes casos e, no restabelecimento, em adição, a lavagem do corpo ou a
oferta de sacrifícios, ou ambas.
Dia da Expiação (16:1-34). Este é um capítulo notável, pois
contém as instruções para o dia mais importante para Israel, o Dia da
Expiação, que cai no décimo dia do sétimo mês. É um dia para afligir a
alma (com toda a probabilidade com jejum) e não se permitirá nenhum
trabalho secular. Começa com a oferta de um novilho pelos pecados de
Arão e sua família, a tribo de Levi, seguida da oferta de um bode pelo
restante da nação. Depois da queima do incenso, parte do sangue dos dois
animais tem de ser trazida, por sua vez, para o Santíssimo do
tabernáculo, a fim de ser aspergido perante a tampa da Arca. Mais tarde,
as carcaças dos animais têm de ser levadas para fora do acampamento e
ser queimadas. Neste dia tem de se apresentar também um bode vivo diante
de Deus, e sobre ele tem de se declarar todos os pecados do povo, após o
que tem de ser conduzido para fora, para o ermo. Daí, dois carneiros tem
de ser oferecidos como ofertas queimadas, um para Arão e sua família, e
outro para o restante da nação.
Estatutos sobre sangue e outros assuntos (17:1-20:27). Esta parte
apresenta muitos estatutos para o povo. Proíbe-se outra vez o sangue,
numa das mais explícitas declarações sobre sangue que existe nas
Escrituras. (17:10-14) O sangue pode ser usado apropriadamente no altar,
mas não para consumo. Proíbem-se práticas detestáveis, como incesto,
sodomia e bestialidade. Há regulamentos para a proteção dos aflitos, dos
humildes e dos estrangeiros, e dá-se o mandamento: "Tens de amar o teu
próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor." (19:18) Resguarda-se o
bem-estar social e econômico da nação, e os perigos espirituais, tais
como a adoração de Moloque e o espiritismo, são proscritos, sob pena de
morte. Deus frisa outra vez a necessidade de seu povo manter-se
separado: "E tendes de mostrar-vos santos para mim, porque eu, Deus, sou
santo, e estou passando a separar-vos dos povos para vos tornardes
meus." 20:26.
O sacerdócio e as festividades (21:1-25:55). Os três capítulos
seguintes tratam principalmente da adoração formal de Israel: os
estatutos que governam os sacerdotes, as suas qualificações físicas, com
quem podem casar-se, quem pode comer coisas sagradas e os requisitos
quanto a animais sadios que devem ser usados em sacrifícios. Ordenam-se
três festividades nacionais sazonais, proporcionando ocasiões de
'alegria perante Deus, vosso Deus'. (23:40) Como um só homem, a nação
voltará assim a sua atenção, louvor e adoração a Deus, fortalecendo a
sua relação com ele. Essas são festividades para Deus, santos congressos
anuais. A Páscoa, juntamente com a Festividade dos Pães Não Fermentados,
é marcada para princípios da primavera; o Pentecostes, ou a Festividade
das Semanas, em fins da primavera; e o Dia da Expiação, juntamente com a
Festividade das Barracas, ou Recolhimento, de oito dias, no outono.
No capítulo 24, dá-se instrução relativa ao pão e ao azeite a serem
usados no serviço do tabernáculo. Segue-se ali o incidente em que Deus
decide que todo aquele que abusar do "Nome" sim, o nome Senhor, tem de
ser morto por apedrejamento. Declara a seguir a lei da punição de igual
por igual: "Olho por olho, dente por dente." (24:11-16, 20) No capítulo
25, acham-se regulamentos sobre o sábado de um ano, ou ano de repouso, a
ser comemorado a cada 7 anos, e o Jubileu, a cada 50 anos. Neste 50.°
ano, deve-se proclamar a liberdade em todo o país, e as propriedades
hereditárias vendidas ou cedidas durante os últimos 49 anos devem ser
restituídas. Dão-se leis que protegem os direitos dos pobres e dos
escravos. Nesta parte, o número "sete" aparece destacadamente o sétimo
dia, o sétimo ano, festividades de sete dias, um período de sete
semanas, e o Jubileu, a vir depois de sete vezes sete anos.
As conseqüências da obediência e da desobediência (26:1-46). O
livro de Levítico atinge o seu clímax neste capítulo. Deus alista aqui
as recompensas pela obediência e os castigos pela desobediência. Ao
mesmo tempo, apresenta a esperança para os israelitas se estes se
humilharem, dizendo: "Vou lembrar-me, em seu benefício, do pacto dos
antecessores que fiz sair da terra do Egito sob os olhares das nações,
para mostrar-me seu Deus. Eu sou o Senhor." 26:45.
Estatutos diversos (27:1-34). Levítico termina com instruções
sobre o manejo das ofertas votivas, sobre o primogênito para Deus e
sobre a décima parte que é santificada para Deus. Daí, vem o breve
colofão: "Estes são os mandamentos que Deus deu a Moisés como ordens
para os filhos de Israel, no monte Sinai." 27:34.
POR QUE É PROVEITOSO PARA NÓS:
Como parte das Escrituras inspiradas, o livro de Levítico é de grande
proveito para os cristãos hoje. É ajuda maravilhosa para se ter apreço
por Deus, seus atributos e seus modos de tratar as suas criaturas,
conforme demonstrou tão claramente para com Israel sob o pacto da Lei.
Levítico declara muitos princípios básicos que sempre vigorarão, e
contém muitos modelos proféticos, bem como profecias, cuja consideração
fortalece a fé. Muitos de seus princípios são declarados outra vez nas
Escrituras Gregas Cristãs, alguns deles sendo citados diretamente. Sete
pontos de realce são considerados abaixo.
(1) A soberania de Deus. Ele é o Legislador, e nós, como
criaturas suas, temos de prestar-lhe contas. De direito, ele nos ordena
que o temamos. Como Soberano Universal, ele não tolera rivalidade, seja
esta em forma de idolatria, de espiritismo ou de outras formas de
demonismo. Lev. 18:4; 25:17; 26:1; Mat. 10:28; Atos 4:24.
(2) O nome de Deus. O seu nome precisa ser mantido sagrado, e não
nos atrevemos a trazer opróbrio sobre ele mediante palavras ou ações.
Lev. 22:32; 24:10-16; Mat. 6:9.
(3) A santidade de Deus. Visto que ele é santo, seu povo precisa
também ser santo, isto é, santificado ou separado para o Seu serviço.
Isto inclui mantermo-nos separados do mundo ímpio que nos cerca. Lev.
11:44; 20:26; Tia. 1:27; 1 Ped. 1:15, 16.
(4) A excessiva pecaminosidade do pecado. É Deus quem determina o
que é pecado, e nós precisamos precaver-nos dele. O pecado sempre requer
um sacrifício de expiação. Além disso, requer também da nossa parte a
confissão, o arrependimento e corrigir a situação ao máximo possível.
Para certos pecados não pode haver perdão. Lev. 4:2; 5:5; 20:2, 10; 1
João 1:9; Heb. 10:26-29.
(5) A santidade do sangue. Visto que o sangue é sagrado, não pode
ser ingerido. O único uso permitido do sangue é como expiação pelo
pecado. Lev. 17:10-14; Atos 15:29; Heb. 9:22.
(6) Relatividade da culpa e da punição. Nem todos os pecados e os
pecadores eram considerados à mesma luz. Quanto mais elevado o cargo,
tanto maiores eram a responsabilidade e a penalidade pelo pecado. O
pecado deliberado era punido de modo mais severo do que o pecado não
intencional. As penalidades variavam muitas vezes segundo a habilidade
de pagar. Este princípio de relatividade se aplicava também nos campos
que não fossem de pecado e de punição, como na impureza cerimonial. Lev.
4:3, 22-28; 5:7-11; 6:2-7; 12:8; 21:1-15;Luc12:47,48; Tia. 3:1; 1 João
5:16.
(7) Justiça e amor. Resumindo os nossos deveres para com o
próximo, Levítico 19:18 diz: "Tens de amar o teu próximo como a ti
mesmo." Isto abrange tudo. Torna proibitivo mostrar parcialidade,
roubar, mentir ou caluniar, e requer que se mostre consideração para com
os incapacitados, os pobres, os cegos e os surdos. Lev. 19:9-18; Mat.
22:39; Rom. 13:8-13.
Também, provando que Levítico é notavelmente 'proveitoso para ensinar,
para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça'
na congregação cristã, há as repetidas referências feitas a ele por
Jesus e seus apóstolos, notavelmente Paulo e Pedro. Estes trouxeram à
atenção os muitos modelos proféticos e as sombras das coisas por vir.
Segundo observou Paulo: "A Lei tem uma sombra das boas coisas
vindouras." Delineia uma 'representação típica e sombra das coisas
celestiais'. 2 Tim. 3:16; Heb. 10:1; 8:5.
O tabernáculo, o sacerdócio, os sacrifícios e em especial o anual Dia da
Expiação tiveram todos um significado prefigurativo. A carta aos
hebreus, ajuda-nos a identificar as partes correspondentes espirituais
destas coisas, em relação com a "verdadeira tenda" da adoração de Deus.
(Heb. 8:2) O principal sacerdote, Arão, representa a Cristo Jesus "como
sumo sacerdote das boas coisas que se realizaram por intermédio da tenda
maior e mais perfeita". (Heb. 9:11; Lev. 21:10) O sangue dos sacrifícios
de animais prefigura o sangue de Jesus, que obtém "para nós um
livramento eterno". (Heb. 9:12) O compartimento mais recôndito do
tabernáculo, o Santíssimo, onde o sumo sacerdote entrava apenas uma vez
por ano, no Dia da Expiação, para apresentar o sangue sacrificial, é
"cópia da realidade", o "próprio céu", para o qual Jesus ascendeu, "para
aparecer agora por nós perante a pessoa de Deus". Heb. 9:24; Lev. 16:14,
15.
As próprias vítimas sacrificiais animais sadios e sem mácula oferecidos
como ofertas queimadas ou pelo pecado representam o sacrifício perfeito
e sem mácula do corpo humano de Jesus Cristo. (Heb. 9:13, 14; 10:1-10;
Lev. 1:3) É interessante que o autor considera também a característica
do Dia da Expiação, em que as carcaças dos animais das ofertas pelo
pecado eram levadas para fora do acampamento e queimadas. (Lev. 16:27)
"Por isso, Jesus também sofreu fora do portão. Saiamos, pois, a ele,
fora do acampamento, levando o vitupério que ele levou". (Heb. 13:12,
13) Mediante tal interpretação inspirada, os procedimentos cerimoniais,
esboçados em Levítico, assumem importância maior, e podemos começar,
deveras, a compreender quão maravilhosamente Deus fez ali sombras que
inspiram respeito, indicando as realidades que só poderiam ser
esclarecidas mediante o Espírito Santo. (Heb. 9:8) Tal entendimento
correto é vital para os que querem tirar proveito da provisão para a
vida que Deus faz mediante Cristo Jesus, o "grande sacerdote sobre a
casa de Deus". Heb. 10:19-25.
Semelhante à casa sacerdotal de Arão, Jesus Cristo, qual Sumo Sacerdote,
tem subsacerdotes associados consigo. Fala-se a respeito destes como
sendo "sacerdócio real". (1 Ped. 2:9) Levítico indica claramente e
explica o trabalho de expiar pecados feito pelo grande Sumo Sacerdote e
Rei de Deus, bem como os requisitos exigidos dos membros de sua casa,
dos quais se fala como sendo 'felizes e santos', e 'sacerdotes de Deus e
do Cristo, e reinando com ele por mil anos'. Que bênção esse trabalho
sacerdotal realizará em soerguer humanos obedientes à perfeição, e que
felicidade esse Reino celestial trará, restaurando a paz e a justiça!
Certamente, devemos todos agradecer ao Deus santo, Deus, o seu arranjo
de um Sumo Sacerdote e Rei, e de um sacerdócio real para declarar em
toda a parte as Suas excelências, em santificação de Seu nome! Deveras,
Levítico se une de modo maravilhoso a "toda a Escritura" em dar a
conhecer os propósitos do Reino de Deus. Ap. 20:6.
|
FESTAS DE ISRAEL
(Lev. Cap. 23) |
|
Festa |
Mês do ano sagrado |
Dia |
Mês do ano solar (atual) |
|
*
Páscoa
(Êx.12:1-4;Lv.23:5) |
1 (Abibe)
|
14 |
Março-Abril |
|
|
*
Pães Asmos
(Ex.12:15-20;Lv.23:6-8) |
1 (Abibe) |
15-21 |
Março-Abril |
|
|
Primícias
(Lv 23:9-14) |
1 (Abibe)
3 (Sivã) |
16
6 |
Março-Abril
Junho-Julho |
|
|
*
Semanas
(Colheitas ou Pentecostes)
(Êx.23:16; 34:22; Lv.23:23-25) |
3 (Sivã) |
6
(50 dias após a colheita
da cevada) |
Maio-Junho |
|
|
Trombetas
(Rosh Hashanah)
(Lv. 23:23-25) |
7 (Tisri) |
1 |
Setembro-Outubro |
|
|
Dia da Expiação
(Yom Kippur)
(Lv. 16;23:26-32) |
7 (Tisri) |
10 |
Setembro-Outubro |
|
|
Tabernáculos
(Tendas ou Colheita)
(Êx.23:16; 34:22; Lv. 23:33-36) |
7 (Tisri) |
15-22 |
Setembro-Outubro |
|
|
|
|
|
|
* Festas
principais, para as quais todos os israelitas adultos, do
sexo masculino, tinham a obrigação de viajar ao templo de
Jerusalém |