Jó
(Jó)
Escritor: Desconhecido
Data: cerca de 2000 a.C. (?)
Tema: Por que sofre o justo ?
Um Dos mais antigos livros das Escrituras inspiradas! Um livro tido na
mais alta estima e muitas vezes citado, todavia muito pouco entendido
pela humanidade. Por que foi escrito este livro, e de que valor é para
nós hoje? A resposta é indicada no significado do nome de Jó: “Objeto de
Hostilidade.” Sim, este livro trata de duas importantes perguntas: Por
que sofrem os inocentes? Por que permite Deus a iniqüidade na terra?
Temos o registro do sofrimento de Jó e de sua grande perseverança para
considerarmos ao responder a essas perguntas. Tudo foi registrado por
escrito, precisamente como Jó pediu. — Jó.19:23, 24.
Jó se tornou sinônimo de paciência e perseverança. Mas, será que existiu
mesmo uma pessoa chamada Jó? Apesar de todos os esforços do Diabo de
remover este excelente exemplo de integridade das páginas da história, a
resposta é clara. Jó foi personagem real! Deus o menciona junto com Suas
testemunhas Noé e Daniel, cuja existência foi aceita por Jesus Cristo. (Eze.14:14,
20; compare com Mateus.24:15, 37.) A antiga nação hebréia encarava a Jó
como pessoa real. O escritor cristão Tiago menciona o exemplo de
perseverança de Jó. (Tia.5:11) Somente um exemplo da vida real, e não um
fictício, teria peso para convencer os adoradores de Deus de que é
possível manter a integridade sob todas as circunstâncias. Ademais, a
intensidade e o sentimento dos discursos registrados em Jó testificam a
realidade da situação.
A autenticidade e a inspiração do livro de Jó são também provadas por os
antigos hebreus sempre o terem incluído em seu cânon da Bíblia, um fato
notável visto que o próprio Jó não era israelita. Além das referências
feitas por Ezequiel e por Tiago, o livro é citado pelo apóstolo Paulo. (Jó.5:13;
1 Cor.3:19) Prova poderosa da inspiração do livro é sua surpreendente
harmonia com os fatos provados das ciências. Como se poderia saber que
Deus “suspende a terra sobre o nada”, quando os antigos tinham os
conceitos mais fantásticos sobre como a terra era sustentada? (Jó.26:7)
Um conceito que se tinha na antiguidade era que a terra se apoiava em
elefantes que estavam em pé sobre uma grande tartaruga-marinha. Por que
não reflete o livro de Jó tal tolice? Obviamente porque Deus, o Criador,
forneceu a verdade mediante inspiração. As muitas outras descrições da
terra e suas maravilhas, bem como dos animais selvagens e das aves nos
seus habitats, são tão exatas que só mesmo o Senhor Deus poderia ser o
Autor e Inspirador do livro de Jó.
Jó morava em Uz, localizada, segundo alguns geógrafos, no Norte da
Arábia, perto da terra ocupada pelos edomitas, e a leste da terra
prometida à descendência de Abraão. Os sabeus ficavam ao sul, os
caldeus, ao leste. (1:1,3,15,17) A época da provação de Jó foi muito
depois dos dias de Abraão. Foi num tempo em que não havia “ninguém igual
a [Jó] na terra, homem inculpe e reto”. (1:8) Este parece ser o período
transcorrido entre a morte de José, um homem de notável fé, e o tempo em
que Moisés iniciou seu proceder de integridade. Jó se distinguia na
adoração pura durante este período em que Israel estava contaminado com
a adoração demoníaca do Egito. Ademais, as práticas mencionadas no
primeiro capítulo de Jó, e aceitar Deus a Jó como verdadeiro adorador,
indicam os tempos patriarcais. — Jó.1:8; 42:16, 17.
O vigoroso estilo autêntico da poesia hebraica, empregado no livro de Jó,
torna evidente que era composição original em hebraico. Não poderia ter
sido tradução de outro idioma como o árabe. Também, os trechos em prosa
têm mais forte semelhança com o Pentateuco do que com quaisquer outros
escritos da Bíblia. O escritor deve ter sido israelita, porque os judeus
“foram incumbidos das proclamações sagradas de Deus”. (Rom.3:1,2).
De acordo com The New Encyclopædia Britannica (A Nova Enciclopédia
Britânica), o livro de Jó é muitas vezes “contado entre as obras-primas
da literatura mundial”. Entretanto, o livro é muito mais do que uma
obra-prima literária. Jó se destaca entre os livros da Bíblia em exaltar
o poder, a justiça, a sabedoria e o amor de Deus. Revela com a máxima
clareza a questão primária colocada diante do universo. Esclarece muito
do que é dito em outros livros da Bíblia, especialmente Gênesis, Êxodo,
Eclesiastes, Lucas, Romanos e Apocalipse. (Compare Jó.1:6-12; 2:1-7 com
Gênesis.3:15; Êxodo.9:16; Lucas.22:31,32; Romanos.9:16-19 e
Apocalipse.12:9; também Jó.1:21; 24:15; 21:23-26; 28:28 com
Eclesiastes.5:15; 8:11; 9:2, 3; 12:13, respectivamente.) Fornece as
respostas a muitas perguntas da vida. É seguramente parte integrante da
inspirada Palavra de Deus, à qual contribui muito no sentido de
entendimento proveitoso.
CONTEÚDO DE JÓ
Prólogo do livro de Jó (1:1-5). Este nos apresenta Jó, homem
‘inculpe e reto, que teme a Deus e desvia-se do mal’. Jó é feliz, tendo
sete filhos e três filhas. É um proprietário de terras rico em sentido
material, possuindo numerosos rebanhos e manadas. Tem muitos servos e é
“o maior de todos os orientais”. (1:1,3) Todavia, não é materialista,
pois não se fia em seus bens materiais. É também rico em sentido
espiritual, rico em boas obras, sempre disposto a ajudar alguém aflito
ou angustiado, ou a dar uma vestimenta a alguém necessitado. (29:12-16;
31:19, 20) Todos o respeitam. Jó adora o verdadeiro Deus. Recusa-se a
prostrar-se diante do sol, da lua e das estrelas, como fazem as nações
pagãs, mas é fiel a Deus, mantendo a integridade a seu Deus e
desfrutando uma relação íntima com Ele. (29:7, 21-25; 31:26, 27; 29:4)
Jó serve qual sacerdote para sua família, oferecendo regularmente
sacrifícios queimados, para o caso de terem pecado.
Satanás desafia a Deus (1:6–2:13). Abre-se de modo maravilhoso a
cortina da invisibilidade, de modo que podemos visualizar coisas
celestiais. Deus é visto presidindo uma assembléia dos filhos de Deus.
Satanás também comparece. Deus traz à atenção seu fiel servo Jó, mas
Satanás desafia a integridade de Jó, acusando Jó de servir a Deus por
causa dos benefícios materiais recebidos. Se Deus permitir que Satanás
lhe tire tais coisas, Jó se desviará da sua integridade. Deus aceita o
desafio, com a restrição de que Satanás não toque no próprio Jó.
Muitas calamidades começam a sobrevir ao insuspeitoso Jó.
Ataques-surpresa dos sabeus e dos caldeus levam suas grandes riquezas.
Uma tempestade mata seus filhos e suas filhas. Esta prova severa
fracassa em fazer com que Jó amaldiçoe a Deus ou se desvie dele. Em vez
disso, ele diz: “Continue a ser abençoado o nome do Senhor.” (1:21)
Satanás, derrotado e provado mentiroso nesta questão, comparece outra
vez perante Deus e acusa: “Pele por pele, e tudo o que o homem tem dará
pela sua alma.” (2:4) Satanás afirma que, se lhe fosse permitido tocar
no corpo de Jó, poderia fazer com que Jó amaldiçoasse a Deus na sua
face. Com a permissão de fazer tudo menos tirar a vida de Jó, Satanás
fere Jó com uma terrível doença. Sua carne fica “revestida de gusanos e
de pó encrostado”, e seu corpo e seu hálito tornam-se fedorentos para
sua esposa e seus parentes. (7:5; 19:13-20) Como indício de que Jó não
violou sua integridade, a esposa insta com ele: “Ainda te aferras à tua
integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!” Jó a censura e não ‘peca com os
seus lábios’. — 2:9, 10.
Satanás suscita então três companheiros, que vêm ‘consolar’2:11 a Jó.
São Elifaz, Bildade e Zofar. De longe, não reconhecem a Jó, mas então
passam a erguer a voz e a chorar e a lançar pó sobre a cabeça. A seguir,
sentam-se diante dele em terra sem falar uma palavra sequer. Após sete
dias e sete noites de tal ‘consolo’ silencioso, Jó finalmente rompe o
silêncio ao iniciar um longo debate com seus pretensos consoladores.
2:11.
O debate: primeira fase (3:1–14:22). Deste ponto em diante, o
drama se desenrola em sublime poesia hebraica. Jó amaldiçoa o dia do seu
nascimento e se pergunta por que Deus permite que ele continue vivendo.
Em resposta, Elifaz acusa Jó de falta de integridade. Os retos nunca
pereceram, afirma. Lembra uma visão noturna em que uma voz lhe disse que
Deus não tem fé nos seus servos, especialmente nos que são de mero
barro, o pó da terra. Indica que o sofrimento de Jó é uma disciplina da
parte do Deus Todo-poderoso.
Jó replica vigorosamente a Elifaz. Lamenta-se como qualquer criatura
perseguida e angustiada se lamentaria. A morte seria um alívio. Censura
seus companheiros por tramarem contra ele e protesta: “Instruí-me, e eu,
da minha parte, ficarei calado; e fazei-me entender que engano cometi.”
(6:24) Jó contende pela sua própria justiça perante Deus, “o Observador
da humanidade”. — 7:20.
Bildade externa então seu argumento, dando a entender que os filhos de
Jó pecaram e que o próprio Jó não é reto, do contrário seria ouvido por
Deus. Instrui Jó a olhar para as gerações anteriores e para as coisas
esquadrinhadas 8:8 por seus antepassados como orientação.
Jó replica, sustentando que Deus não é injusto. Tampouco precisa Deus
prestar contas ao homem, pois Ele está “fazendo grandes coisas
inescrutáveis, e inúmeras coisas maravilhosas”. (9:10) Jó não pode
ganhar de Deus como seu adversário em juízo. Pode apenas implorar o
favor de Deus. Não obstante, há algum proveito em procurar fazer o que é
correto? “Ao inculpe, também ao iníquo, ele leva ao seu fim.” (9:22) Não
há julgamento justo na terra. Jó teme perder a causa mesmo com Deus.
Necessita de um mediador. Pergunta por que está sendo julgado e implora
a Deus que se lembre de que ele é feito “de barro”. (10:9) Aprecia as
benevolências que Deus lhe demonstrou no passado, mas diz que Deus só
ficará mais agastado se ele argumentar, embora esteja certo. Se
tão-somente pudesse expirar!
Zofar entra então no debate. Na realidade, ele diz: Somos por acaso
crianças para ouvir conversa vã? Você afirma ser realmente puro, mas se
Deus tão-somente falasse, revelaria a sua culpa. Pergunta a Jó: “Acaso
podes descobrir as coisas profundas de Deus?” (11:7) Aconselha Jó a
largar as práticas nocivas, pois advirão bênçãos aos que assim fizerem,
ao passo que “falharão os próprios olhos dos iníquos”. — 11:20.
Jó clama com forte sarcasmo: “De fato, vós sois o povo, e a sabedoria
morrerá convosco!” (12:2) Ele pode ser objeto de riso, mas não é
inferior. Se seus companheiros olhassem para as criações de Deus, até
mesmo elas lhes ensinariam algo. Força e sabedoria prática pertencem a
Deus, que controla todas as coisas, até “fazendo as nações tornar-se
grandes, para as destruir”. (12:23) Jó se deleita em argumentar sua
causa com Deus, mas, quanto aos seus três “consoladores” — “vós sois
homens que besuntam com falsidade; todos vós sois médicos sem valor
algum”. (13:4) Seria sábio da parte deles manter-se calados! Expressa
confiança na retidão de sua causa e invoca a Deus para que o ouça. Passa
à idéia de que “o homem, nascido de mulher, é de vida curta e está
empanturrado de agitação”. (14:1) O homem passa logo, como a flor ou a
sombra. Não se pode produzir alguém puro de alguém impuro. Ao orar para
que Deus o esconda em secreto no Seol até que Sua ira se recue, Jó
pergunta: “Morrendo o varão vigoroso, pode ele viver novamente?” Em
resposta, expressa forte esperança: ‘Esperarei até vir a minha
substituição.’ — 14:13, 14.
O debate: segunda fase (15:1–21:34). Ao iniciar o segundo debate,
Elifaz zomba do conhecimento de Jó, dizendo que este ‘encheu seu ventre
com o vento oriental’. (15:2) Novamente, desacredita a afirmação de Jó
de ser íntegro, sustentando que nem o homem mortal, nem os santos nos
céus podem reter fé aos olhos de Deus. Acusa indiretamente a Jó de
procurar mostrar-se superior a Deus e de praticar apostasia, suborno e
engano.
Jó retruca que seus companheiros são ‘consoladores funestos, com
palavras ventosas’. (16:2, 3) Se estivessem no seu lugar, ele não os
insultaria. Deseja muito ser justificado, e olha para Deus, que tem seu
registro e decidirá sua causa. Jó não encontra sabedoria nos seus
companheiros. Tiram-lhe toda a esperança. O “consolo” deles é como dizer
que a noite é dia. A única esperança é ‘descer ao Seol’. 17:15, 16.
A discussão fica acalorada. Bildade está agora ressentido, pois acha que
Jó comparou seus amigos a animais sem entendimento. Pergunta a Jó: ‘Será
abandonada a terra por tua causa?’ (18:4) Adverte que Jó cairá num
terrível laço, como exemplo para outros. Jó não terá descendência que
viva após ele.
Jó responde: “Até quando ficareis irritando a minha alma e
esmigalhando-me com palavras?” (19:2) Perdeu a família e os amigos, a
esposa e os de sua casa se afastaram dele, e ele próprio escapou só ‘com
a pele dos seus dentes’. (19:20) Confia no aparecimento de um redentor
para resolver a questão em seu favor, para que finalmente ‘observe a
Deus’. — 19:25, 26.
Zofar, igual a Bildade, fica ressentido por ter de ouvir a “exortação
insultante” de Jó. (20:3) Repete que os pecados de Jó lhe trouxeram
retribuição. Os iníquos sempre recebem o castigo de Deus, e não têm
descanso, diz Zofar, mesmo enquanto gozam de prosperidade.
Jó replica com um argumento fulminante: Se Deus sempre castiga assim os
iníquos, por que é que os iníquos continuam vivendo, envelhecem, e se
tornam superiores em riquezas? Passam seus dias desfrutando a vida.
Quantas vezes lhes sobrevém a calamidade? Mostra que o rico e o pobre
morrem da mesma forma. De fato, o iníquo com freqüência morre
“despreocupado e tranqüilo”, ao passo que o justo talvez morra “com alma
amargurada”. — 21:23, 25.
O debate: terceira fase (22:1–25:6). Elifaz volta a atacar
ferozmente, zombando da afirmação de Jó de ser inculpe diante do
Todo-poderoso. Levanta calúnia mentirosa contra Jó, declarando que este
é mau, explorou os pobres, negou pão ao faminto e maltratou viúvas e
órfãos de pai. Elifaz diz que a vida particular de Jó não é tão pura
como afirma e que isso explica a situação calamitosa de Jó. Mas, “se
retornares ao Todo-poderoso”, entoa Elifaz, “ele te ouvirá”. — 22:23,
27.
Jó, em resposta, refuta a ultrajante acusação de Elifaz dizendo que
deseja uma audiência perante Deus, o qual está ciente do seu proceder
justo. Há aqueles que oprimem os órfãos de pai, as viúvas e os pobres, e
que cometem homicídio, roubo e adultério. Talvez pareçam prosperar por
algum tempo, mas receberão sua recompensa. Serão reduzidos a nada. “Por
conseguinte, quem me fará de mentiroso?”, desafia Jó. — 24:25.
Bildade redargúi brevemente a isto, sustentando seu argumento de que
nenhum homem pode ser puro perante Deus. Zofar deixa de participar nesta
terceira fase. Não tem nada a dizer.
O argumento concludente de Jó (26:1– 31:40). Numa dissertação
final, Jó silencia completamente seus companheiros. (32:12, 15, 16) Com
grande sarcasmo, diz: “Oh! de quanta ajuda foste àquele que não tem
poder! . . . Quanto aconselhaste aquele que não tem sabedoria!” (26:2,
3) Nada, porém, nem mesmo o Seol, pode encobrir algo da vista de Deus.
Jó descreve a sabedoria de Deus no espaço sideral, na terra, nas nuvens,
no mar e no vento — os quais o homem tem visto. Estes são apenas as
beiradas dos caminhos do Todo-poderoso. Mal chegam a ser um sussurro da
grandeza do Todo-poderoso.
Convencido de sua inocência, declara: “Até eu expirar não removerei de
mim a minha integridade!” (27:5) Não, Jó não fez nada para merecer o que
lhe sobreveio. Contrário às acusações deles, Deus recompensará a
integridade, cuidando de que as coisas armazenadas pelos iníquos na sua
prosperidade sejam herdadas pelos justos.
O homem sabe donde vêm os tesouros da terra (prata, ouro, cobre), “mas a
própria sabedoria — donde vem”? (28:20) Ele a tem procurado entre os
viventes; vasculhou o mar; não pode ser comprada com ouro ou prata. Deus
é aquele que entende a sabedoria. Ele enxerga até as extremidades da
terra e dos céus, proporciona o vento e as águas, e controla a chuva e a
nuvem de temporal. Jó conclui: “Eis o temor do Senhor Deus — isso é
sabedoria, e desviar-se do mal é compreensão.” — 28:28.
O angustiado Jó apresenta, a seguir, a história de sua vida. Deseja ser
restabelecido à sua anterior posição achegada com Deus, quando era
respeitado até mesmo pelos líderes da cidade. Socorria os afligidos e
servia de olhos para os cegos. Seu conselho era bom, e as pessoas
esperavam suas palavras. Mas, agora, em vez de ter uma posição honrosa,
é escarnecido até mesmo pelos mais jovens, cujos pais nem eram dignos de
estar com os cães do seu rebanho. Cospem nele e se lhe opõem. Agora, na
sua maior aflição, não lhe dão descanso.
Jó descreve a si mesmo como homem dedicado, e pede para ser julgado por
Deus. “Ele me pesará em balança exata, e Deus chegará a saber a minha
integridade.” (31:6) Jó defende suas ações no passado. Não foi adúltero,
nem tramou contra outros. Não negligenciou a ajuda aos necessitados.
Embora fosse rico, não confiava nas riquezas materiais. Não adorou o
sol, a lua e as estrelas, pois “isto também seria um erro a receber a
atenção dos magistrados, pois eu teria renegado o verdadeiro Deus de
cima”. (31:28) Jó convida seu adversário em juízo a levantar acusações
contra o registro verídico da sua vida.
Eliú fala (32:1–37:24). Nesse ínterim, Eliú, descendente de Buz,
filho de Naor, e, por conseguinte, parente distante de Abraão, estava
escutando o debate. Esperou porque achava que os de mais idade teriam
maior conhecimento. Entretanto, não é a idade, mas o Espírito de Deus
que dá entendimento. A ira de Eliú se acende contra Jó, por este
“declarar justa a sua própria alma em vez de a Deus”, mas fica ainda
mais irado com os três companheiros de Jó, por sua deplorável falta de
sabedoria ao pronunciarem Deus iníquo. Eliú fica “cheio de palavras”, e
o Espírito de Deus o compele a dar vazão a elas, mas sem parcialidade e
sem ‘dar títulos ao homem terreno’. — Jó.32:2, 3, 18-22; Gên.22:20,21.
Eliú fala com sinceridade, reconhecendo a Deus como seu Criador.
Salienta que Jó tem estado mais preocupado com sua própria vindicação do
que com a de Deus. Não era necessário Deus responder a todas as palavras
de Jó, como se precisasse justificar suas ações, não obstante, Jó havia
contendido com Deus. Entretanto, ao passo que a alma de Jó se aproxima
da morte, Deus o favorece com um mensageiro, dizendo: “Isenta-o de
descer à cova! Achei um resgate! Torne-se a sua carne mais fresca do que
na infância; volte ele aos dias do seu vigor juvenil.” (Jó.33:24, 25) Os
justos serão restabelecidos!
Eliú convoca os sábios a ouvir. Censura a Jó por dizer que não há
proveito em manter a integridade: “Longe está do verdadeiro Deus agir
iniquamente, e do Todo-poderoso agir injustamente! Pois é segundo a
atuação do homem terreno que ele o recompensará.” (34:10, 11) Ele pode
remover o fôlego de vida, e toda carne expirará. Deus julga sem
parcialidade. Jó tem destacado demais sua própria justiça. Tem sido
precipitado, não deliberadamente, mas “sem conhecimento”; e Deus tem
sido longânime com ele. (34:35) Há mais coisas que precisam ser ditas
para a vindicação de Deus. Deus não tirará seus olhos dos justos, mas os
repreenderá. “Não preservará vivo a alguém iníquo, mas dará o julgamento
dos atribulados.” (36:6) Visto que Deus é o Instrutor supremo, Jó devia
magnificar Sua atividade.
Numa atmosfera de inspirar temor, de uma tempestade em formação, Eliú
fala das grandes coisas feitas por Deus e de Seu controle sobre as
forças naturais. A Jó ele diz: “Fica parado e mostra-te atento às obras
maravilhosas de Deus.” (37:14) Considere o esplendor dourado de Deus e a
dignidade dele, que inspira temor, muito além do escrutínio humano. “Ele
é sublime em poder, e não depreciará o juízo e a abundância da justiça.”
Sim, Deus considerará aqueles que o temem, não os que são “sábios no seu
próprio coração”. — 37:23, 24.
Deus responde a Jó (38:1–42:6). Jó havia pedido que Deus falasse
com ele. Agora Deus responde majestosamente de dentro do vendaval.
Propõe a Jó uma série de perguntas que são em si mesmas uma lição
objetiva da pequenez do homem e da grandeza de Deus. “Onde vieste a
estar quando fundei a terra? . . . Quem lançou a sua pedra angular,
quando as estrelas da manhã juntas gritavam de júbilo e todos os filhos
de Deus começaram a bradar em aplauso?” (38:4, 6, 7) Isso foi muito
antes do tempo de Jó! Suscitam-se perguntas, uma após a outra, e Jó não
consegue responder a elas, ao passo que Deus aponta para o mar da terra,
sua vestimenta de nuvens, a alva, os portões da morte, e a luz e a
escuridão. “Acaso o sabes porque nasceste naquele tempo, e porque os
teus dias são muitos em número?” (38:21) E que dizer dos depósitos de
neve e de saraiva, o temporal e a chuva e as gotas de orvalho, o gelo e
a geada, as poderosas constelações celestes, os relâmpagos e as camadas
de nuvens, os animais e as aves?
Jó admite humildemente: “Eis que me tornei de pouca importância. Que te
replicarei? Pus a minha mão sobre a boca.” (40:4) Deus ordena Jó a
enfrentar a questão. Propõe mais uma série de perguntas desafiadoras que
exaltam Sua dignidade, superioridade e força, conforme evidenciadas em
suas criações naturais. Até mesmo o beemote e o leviatã são muito mais
poderosos do que Jó! Completamente humilhado, Jó admite que seu ponto de
vista era errado, e que falou sem conhecimento. Vendo agora a Deus, não
por ouvir falar dele, mas com entendimento, retrata-se e arrepende-se
“em pó e cinzas”. — 42:6.
O julgamento e a bênção de Deus (42:7-17). A seguir, Deus acusa
Elifaz e seus dois companheiros de não terem falado coisas verídicas
sobre Ele. Precisam providenciar sacrifícios e é preciso que Jó ore por
eles. Depois disso, Deus reverte a condição cativa de Jó, abençoando-o
com o dobro do que tinha. Seus irmãos, suas irmãs e seus anteriores
amigos retornam a ele com presentes, e ele é abençoado com o dobro do
que possuía antes em matéria de ovelhas, camelos, gado e jumentas. Tem
novamente dez filhos, sendo suas três filhas as mais belas mulheres de
todo o país. Sua vida é milagrosamente prolongada em 140 anos, de modo
que chega a ver quatro gerações da sua descendência. Morre “velho e
saciado de dias”. — 42:17.
TIRANDO PROVEITO PARA OS NOSSOS DIAS
O livro de Jó exalta a Deus e testifica Sua sabedoria e poder
insondáveis. (12:12, 13; 37:23) Só neste livro, Deus é chamado de
Todo-poderoso 31 vezes, o que é mais do que em todo o restante das
Escrituras. O relato exalta a Sua eternidade e posição enaltecida (10:5;
36:4, 22, 26; 40:2; 42:2), bem como sua justiça, benevolência e
misericórdia (36:5-7; 10:12; 42:12). Salienta a vindicação de Deus acima
da salvação do homem. (33:12; 34:10, 12; 35:2; 36:24; 40:8) O Senhor,
Deus de Israel, é indicado como sendo também o Deus de Jó.
O registro de Jó magnifica e explica a obra criativa de Deus.
(38:4–39:30; 40:15, 19; 41:1; 35:10) Harmoniza-se com a declaração de
Gênesis, de que o homem é feito do pó e ao pó retorna. (Jó.10:8, 9;
Gên.2:7; 3:19) Emprega os termos “redentor”, “resgate” e “viver
novamente”, fornecendo assim um vislumbre de destacados ensinamentos das
Escrituras Gregas Cristãs. (Jó.19:25; 33:24; 14:13,14) Muitas das
expressões no livro foram empregadas ou usadas como paralelo pelos
profetas e por escritores cristãos. Compare por exemplo, Jó.7:17 -
Salmo.8:4; Jó.9:24 - 1João.5:19; Jó.10:8 - Salmo.119:73; Jó.12:25 -
Deuteronômio.28:29; Jó.24:23 - Provérbios.15:3; Jó.26:8 -
Provérbios.30:4; Jó.28:12, 13, 15-19 - Provérbios.3:13-15; Jó.39:30 -
Mateus.24:28.
As normas justas de vida estabelecidas por Deus são delineadas em muitas
passagens. O livro condena fortemente o materialismo (Jó 31:24, 25), a
idolatria (31:26-28), o adultério (31:9-12), alegrar-se com a desgraça
de outros (31:29), a injustiça e a parcialidade (31:13; 32:21), o
egoísmo (31:16-21), a desonestidade e a mentira (31:5), indicando que
quem pratica tais coisas não pode ganhar o favor de Deus e a vida
eterna. Eliú é um excelente exemplo de profundo respeito e modéstia,
junto com denodo, coragem e exaltação de Deus. (32:2, 6, 7, 9, 10,
18-20; 33:6, 33) O próprio exercício de liderança por parte de Jó, a
consideração que tinha pela família, e sua hospitalidade também fornecem
excelente lição. (1:5; 2:9, 10; 31:32) Entretanto, Jó é principalmente
lembrado por manter a integridade e perseverar com paciência, dando um
exemplo que provou ser um baluarte fortalecedor da fé para os servos de
Deus no decorrer das eras, e especialmente nestes tempos que põem à
prova a nossa fé. “Ouvistes falar da perseverança de Jó e vistes o
resultado que Deus deu, que Deus é mui terno em afeição e é
misericordioso.” — Tia.5:11.
Jó não fazia parte da semente de Abraão, a quem foram dadas as promessas
do Reino, contudo o registro de sua integridade contribui muito para
tornar claro o entendimento dos propósitos referentes ao Reino de Deus.
O livro é parte essencial do registro divino, pois revela a questão
fundamental entre Deus e Satanás, que envolve a integridade do homem
para com Deus como seu Soberano. Mostra que os anjos, criados antes da
terra e do homem, também são espectadores e estão muito interessados
nesta terra e no desfecho da controvérsia. (Jó.1:6-12; 2:1-5; 38:6,7)
Indica que essa controvérsia já existia antes dos dias de Jó, e que
Satanás é uma pessoa espiritual real. Se o livro de Jó foi escrito por
Moisés, trata-se da primeira ocorrência da expressão has·Sa·tán no texto
hebraico da Bíblia, fornecendo uma identidade adicional para “a serpente
original”. (Jó.1:6, nota; Ap.12:9) O livro prova também que Deus não é o
causador do sofrimento, das doenças e da morte dos humanos, e explica
por que os justos são perseguidos, ao passo que se permite que os
iníquos e a iniqüidade continuem. Mostra que Deus está interessado em
levar a questão em litígio à sua solução final.
Agora é o tempo em que todos os que desejam viver sob o governo do Reino
de Deus precisam responder a Satanás, “o acusador”, por manterem a
integridade. (Ap.12:10, 11) Mesmo enfrentando ‘provações intrigantes’,
os que mantêm a integridade precisam continuar orando para que o nome de
Deus seja santificado, e para que Seu Reino venha e destrua a Satanás e
a toda a sua zombeteira prole. Esse será “o dia de peleja e de guerra”
de Deus, seguido pelo alívio e pelas bênçãos das quais Jó esperava
compartilhar. - 1Ped.4:12; Mat. 6:9,10; Jó.38:23; 14:13-15.
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Livro de Jó |
Ponto de comparação |
Outras referências bíblicas |
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3:17-19 |
Os mortos não
sabem nada, mas estão como os adormecidos. |
Ec.9:5,10;
Jo1:11-14; 1Co.15:20 |
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10:4 |
Deus não julga
com base no ponto de vista humano. |
1Sm.16:7 |
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10:8, 9, 10:11,
12 |
O grande cuidado
de Deus em criar o homem. |
Sl.139:13-16 |
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12:23 |
Deus deixa as
nações ficarem poderosas e até mesmo unidas contra ele, para
que possa com justiça destruí-las de um só golpe. |
Re.17:13, 14, 17 |
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14:1-5 |
Homem nasce em
pecado e em servidão à morte. |
Sl.51:5; Rm.5:12 |
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14:13-15 |
Ressurreição dos
mortos. |
1Co.15:21-23 |
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17:9 |
O justo não
tropeça, não importa o que outros façam. |
Sl.119:165
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19:25 |
O propósito de
Deus é remir (resgatar, livrar) a humanidade fiel. |
Rm.3:24; 1Co.1:30 |
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21:23-26 |
Todos os homens
estão sujeitos ao mesmo evento conseqüente; todos são iguais
na morte. |
Ec.9:2, 3 |
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24:3-12 |
Aflição causada
pelos iníquos; cristãos são tratados assim. |
2Co.6:4-10;
2Co.11:24-27 |
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24:13-17 |
Os iníquos amam a
escuridão, em vez de a luz; a luz os aterroriza. |
Jo.3:19
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26:6 |
Todas as coisas
estão expostas aos olhos de Deus. |
Hb.4:13 |
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27:12 |
Os que têm
“visões” do seu próprio coração, não de Deus, proferem
coisas vãs. |
Je.23:16 |
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27:8-10 |
O apóstata não
invocará genuinamente a Deus, nem será ouvido por Ele. |
He.6:4-6 |
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27:16, 17
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O justo herdará a
riqueza acumulada pelo iníquo. |
Dt.6:10,11;Pv.13:22 |
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Cap 28 |
O homem não pode
encontrar verdadeira sabedoria do ‘livro da criação divina’,
mas só de Deus e pelo temor Dele. |
Ec.12:13;1Co.2:11-16 |
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30:1, 2, 8, 12 |
Vadios
imprestáveis, insensatos, são usados para perseguir os
servos de Deus. |
At.17:5 |
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32:22 |
Conferir títulos
antibíblicos é errado. |
Mt 23:8-12 |
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34:14, 15 |
A vida de toda a
carne está na mão de Deus. |
Sl.104:29, 30;
Is.64:8; At.17:25, 28 |
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34:19 |
Deus não é
parcial. |
At.10:34 |
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34:24, 25 |
Deus derruba e
estabelece governantes a seu bel-prazer. |
Dn.2:21; 4:25 |
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36:24; 40:8 |
O importante é
declarar a justiça de Deus. |
Rm.3:23-26 |
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42:2 |
Para Deus, todas
as coisas são possíveis. |
Mt.19:26 |
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42:3 |
A sabedoria de
Deus é inescrutável. |
Is.55:9; Rm.11:33
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Outras
comparações dignas de nota: Jó.7:17 e Sal.8:4; - Jó.9:24
e 1Jo.5:19; - Jó.10:8 e Sal.119:73; - Jó.26:8 e Pr.30:4; -
Jó.28:12, 13, 15-19 e Pr.3:13-15; - Jó.39:30 e Mt.24:28. |
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