1 Crônicas
(1 Cr)
Escritor: Esdras (?)
Lugar da Escrita: Jerusalém (?)
Tempo da Escrita: c. 460 a.C.
É Primeiro Crônicas simplesmente uma lista insípida de genealogias? É
mera repetição dos livros de Samuel e Reis? Longe disso! Eis aqui uma
parte esclarecedora e essencial do registro divino importante para os
dias em que foi escrito, na reorganização da nação e de sua adoração, e
essencial e proveitoso em apresentar um padrão de adoração divina para
dias posteriores, inclusive os dias atuais. Primeiro Crônicas contém
algumas das mais belas expressões de louvor a Deus encontradas em toda a
Escritura. Proporciona maravilhosos vislumbres do Reino de justiça de
Deus, e estudá-lo será de proveito para todos os que aguardam esse
Reino. Os dois livros de Crônicas foram prezados tanto pelos judeus como
pelos cristãos através das eras. Jerônimo, tradutor da Bíblia, tinha um
conceito tão elevado sobre Primeiro e Segundo Crônicas, que os
considerou um “resumo do Velho Testamento” e afirmou que “são tão
momentosos e importantes, que quem julga estar familiarizado com os
escritos sagrados, e não os conhece, apenas engana a si mesmo”.
Os dois livros de Crônicas eram, pelo visto, originalmente um só livro,
ou rolo, dividido mais tarde para conveniência. Por que se escreveu
Crônicas? Considere a situação. O exílio em Babilônia terminara uns 77
anos antes. Os judeus tinham sido restabelecidos na sua terra.
Entretanto, existia a tendência perigosa de se desviarem da adoração de
Deus no templo reconstruído em Jerusalém. Esdras fora autorizado pelo
rei da Pérsia a nomear juízes e instrutores da lei de Deus (bem como da
do rei) e a embelezar a casa de Deus. Eram necessárias listas
genealógicas exatas para garantir que apenas pessoas autorizadas
servissem no sacerdócio e também para confirmar as heranças tribais, das
quais o sacerdócio recebia seu sustento. Em vista das profecias de Deus
sobre o Reino, era também vital ter um registro claro e fidedigno da
linhagem de Judá e de Davi.
Esdras tinha o desejo sincero de tirar os judeus restabelecidos de sua
apatia e incutir neles o entendimento de que eles eram, deveras,
herdeiros da benevolência pactuada de Deus. Em Crônicas, portanto,
apresentou-lhes uma narrativa completa da história da nação e da origem
da humanidade, remontando até o primeiro homem, Adão. Visto ser o reino
de Davi o ponto focal, ele ressaltou a história de Judá, omitindo quase
inteiramente o registro absolutamente irredimível do reino das dez
tribos. Descreveu os maiores reis de Judá como estando empenhados em
construir ou restaurar o templo e em liderar zelosamente a adoração de
Deus. Apontou os pecados religiosos que levaram à derrubada do reino,
salientando também, ao mesmo tempo, as promessas de Deus de restauração.
Frisou a importância da adoração pura, focalizando a atenção nos muitos
pormenores concernentes ao templo, seus sacerdotes, os levitas, os
mestres de canto, e assim por diante. Deve ter sido muito animador para
os israelitas terem um registro histórico que enfocava o motivo de sua
volta do exílio a restauração da adoração de Deus em Jerusalém.
Qual é a evidência de que Esdras escreveu Crônicas? Os dois
versículos finais de Segundo Crônicas 36:22, 23 são iguais aos primeiros
dois versículos de Esdras (Esd 1:1, 2), e Segundo Crônicas termina no
meio duma sentença que é concluída em Esdras 1:3. Portanto, o escritor
de Crônicas deve ter sido também o de Esdras. Isso é ainda mais
comprovado pelo estilo, pela linguagem, pela fraseologia e pela grafia
das palavras, que são iguais em Crônicas e Esdras. Algumas das
expressões nesses dois livros não são encontradas em nenhum outro livro
da Bíblia. Esdras, que escreveu o livro de Esdras, também deve ter
escrito Crônicas. A tradição judaica apóia essa conclusão.
Ninguém melhor do que Esdras podia compilar esta história autêntica e
exata. “Pois o próprio Esdras tinha preparado seu coração para consultar
a lei de Deus e para praticá-la, e para ensinar regulamento e justiça em
Israel.” (Esd 7:10) Deus o ajudou com Espírito Santo. O governante
mundial persa reconheceu a sabedoria de Deus em Esdras e concedeu-lhe
amplos poderes civis no distrito jurisdicional de Judá. (Esd 7:12-26)
Assim revestido de autoridade divina e imperial, Esdras pôde compilar
sua narrativa com base nos melhores documentos disponíveis.
Esdras era um pesquisador extraordinário. Pesquisou antigos
registros da história judaica que haviam sido compilados por fidedignos
profetas contemporâneos daquelas épocas, bem como os compilados por
escrivães oficiais e pelos que guardavam os registros públicos. Alguns
dos escritos que consultou talvez fossem documentos de estado tanto de
Israel como de Judá, registros genealógicos, obras históricas escritas
por profetas, e documentos pertencentes a chefes tribais ou familiares.
Esdras cita pelo menos 20 de tais fontes de informações. Mediante tais
citações explícitas, Esdras deu honestamente aos seus contemporâneos a
oportunidade de verificar suas fontes se assim o desejassem, e isto
acrescenta considerável peso ao argumento a favor da credibilidade e
autenticidade de sua palavra. Nós podemos ter hoje confiança na exatidão
dos livros de Crônicas pelo mesmo motivo que os judeus do tempo de
Esdras tinham tal confiança.
Visto que Esdras “subiu de Babilônia” no sétimo ano do rei persa
Artaxerxes Longímano, que ocorreu em 468 a.C., e Esdras não registra a
importante chegada de Neemias em 455 a.C., a escrita de Crônicas deve
ter sido completada entre essas datas, provavelmente por volta do ano
460 a.C., em Jerusalém. (Esd 7:1-7; Nee. 2:1-18) Os judeus dos dias de
Esdras aceitavam Crônicas como parte genuína de ‘toda a Escritura que é
inspirada por Deus e proveitosa’. Chamavam-no de Div·réh Hai·ya·mím, que
significa “Os Assuntos dos Dias”, isto é, a história dos dias ou dos
tempos. Uns 200 anos mais tarde, os tradutores da Septuaginta grega
também incluíram Crônicas como sendo canônico. Dividiram o livro em duas
partes e, supondo ser suplementar a Samuel e Reis, ou à inteira Bíblia
daquele tempo, chamaram-no de Pa·ra·lei·po·mé·non, significando “Coisas
Passadas por Alto (Não Ditas; Omitidas).” Embora o nome não seja
exatamente apropriado, contudo a atitude deles mostra que encaravam
Crônicas como Escritura autêntica, inspirada. Ao preparar a Vulgata
latina, Jerônimo sugeriu: “Podemos chamar [a esses] mais
significativamente de Khro·ni·kón da inteira história divina.” É disto
que o título “Crônicas” parece ter-se originado. Crônica é um registro
de acontecimentos na ordem em que ocorreram. Depois de alistar as
genealogias, Primeiro Crônicas se concentra principalmente no tempo do
Rei Davi, de 1077 a.C. até sua morte.
CONTEÚDO DE PRIMEIRO CRÔNICAS
Este livro de Primeiro Crônicas se divide naturalmente em duas partes:
os primeiros 9 capítulos, que tratam primariamente de genealogias, e os
últimos 20 capítulos, que abrangem eventos durante os 40 anos desde a
morte de Saul até o fim do reinado de Davi.
As genealogias (1 Crônicas 1:1-9:44). Estes capítulos alistam a
genealogia desde Adão até a linhagem de Zorobabel. (1:1; 3:19-24) As
versões de muitas traduções levam a linhagem de Zorobabel até a décima
geração. Uma vez que ele retornou a Jerusalém em 537 a.C., não haveria
tempo suficiente para tantas gerações terem nascido até 460 a.C., quando
Esdras evidentemente completou a escrita. Entretanto, o texto hebraico é
incompleto nesta parte, e não se pode determinar qual era o parentesco
da maioria dos homens alistados com Zorobabel. Assim, não há motivo para
se favorecer uma data mais tardia para a escrita de Crônicas, como fazem
alguns.
Primeiro, fornecem-se as dez gerações desde Adão até Noé, e depois as
dez gerações até Abraão. São alistados os filhos de Abraão e sua
prole; a posteridade de Esaú e de Seir, que residia na região montanhosa
de Seir; e os primitivos reis de Edom. A partir do segundo capítulo,
porém, o registro trata dos descendentes de Israel, ou Jacó, a partir de
quem se traça primeiro a genealogia através de Judá e, daí, por dez
gerações até Davi. (2:1-14) São alistadas também as demais tribos, com
referência especial à tribo de Levi e aos sumos sacerdotes, terminando
com uma genealogia da tribo de Benjamim, como forma de apresentar o Rei
Saul, um benjamita, com quem começa então, em sentido estrito, a
narrativa histórica. Às vezes, talvez pareça haver contradições entre as
genealogias apresentadas por Esdras e outras passagens bíblicas.
Todavia, é preciso lembrar que certas pessoas eram também conhecidas por
outros nomes, e que a língua se transforma, de modo que com o passar do
tempo a grafia de alguns nomes podia mudar. Um estudo cuidadoso elimina
a maioria das dificuldades.
Esdras intercala as genealogias, aqui e ali, com um pouco de informações
históricas e geográficas que servem de esclarecimento e lembretes
importantes. Por exemplo, ao alistar os descendentes de Rubem, Esdras
acrescenta uma importante informação: “E os filhos de Rubem, primogênito
de Israel pois era o primogênito; mas por profanar o leito conjugal de
seu pai deu-se o seu direito de primogênito aos filhos de José, filho de
Israel, de modo que não foi registrado genealogicamente para o direito
de primogênito. Porque o próprio Judá mostrou-se superior entre os seus
irmãos e o líder procedia dele; mas a primogenitura era de José.” (5:1,
2) Estas poucas palavras explicam muita coisa. Ademais, é apenas em
Crônicas que ficamos sabendo que Joabe, Amasa, e Abisai eram todos
sobrinhos de Davi, o que nos ajuda a avaliar os diversos eventos que os
envolveram. 2:16, 17.
A infidelidade de Saul resulta em sua morte (10:1-14). A
narrativa começa com o avanço do ataque dos filisteus na batalha do
monte Gilboa. Três dos filhos de Saul, incluindo Jonatã, são mortos.
Daí, Saul é ferido. Não desejando ser capturado pelo inimigo, insta com
seu escudeiro: “Puxa a tua espada e traspassa-me com ela, para que não
venham estes incircuncisos e certamente abusem de mim.” Quando seu
escudeiro se recusa a fazê-lo, Saul se mata. Assim morre Saul por agir
“sem fé contra Senhor, referente à palavra de Deus que não guardou e
também por pedir a um médium espírita que fizesse uma consulta. E não
consultou a Deus.” (10:4, 13, 14) Deus dá o reino a Davi.
Davi é confirmado no reino (11:1-12:40). Com o tempo, as 12
tribos se reúnem a Davi em Hébron e o ungem rei sobre todo o Israel. Ele
captura Sião e prossegue ‘ficando cada vez maior, porque o Senhor dos
exércitos está com ele’. (11:9) Homens poderosos são colocados no
comando do exército, e por meio deles, Deus salva “com uma grande
salvação”. (11:14) Davi recebe apoio unido ao passo que os homens de
guerra se reúnem unanimemente para torná-lo rei. Há festejo e regozijo
em Israel.
Davi e a arca do Senhor (13:1-16:36). Davi consulta os líderes
nacionais, e estes concordam em mudar a Arca de Quiriate-Jearim, onde já
está há cerca de 70 anos, para Jerusalém. No caminho, Uzá morre por
irreverentemente desconsiderar as instruções de Deus, e a Arca é deixada
por algum tempo na casa de Obede-Edom. (Núm. 4:15) Os filisteus
recomeçam suas incursões, mas Davi os derrota esmagadoramente duas
vezes, em Baal-Perazim e em Gibeão. Instruídos por Davi, os levitas
seguem então o procedimento teocrático ao transportar a Arca com
segurança a Jerusalém, onde é colocada numa tenda que Davi havia armado
para ela, em meio a dança e regozijo. Oferecem-se sacrifícios e
cânticos, o próprio Davi contribuindo com um cântico de agradecimento a
Deus pela ocasião. Este atinge seu grandioso clímax no seguinte tema:
“Alegrem-se os céus, e jubile a terra, e digam entre as nações: ‘O
próprio Deus se tornou rei!’” (1 Crô. 16:31) Que ocasião emocionante e
inspiradora de fé! Mais tarde, este cântico de Davi é adaptado como base
para novos cânticos, um dos quais é o Salmo 96. Outro é registrado nos
primeiros 15 versículos do Salmo 105.
Davi e a casa de Deus (16:37-17:27). Existe agora um arranjo
incomum em Israel. A arca do pacto reside numa tenda em Jerusalém onde
Asafe e seus irmãos assistem, ao passo que alguns quilômetros a noroeste
de Jerusalém, em Gibeão, Zadoque, o sumo sacerdote, e seus irmãos
oferecem no tabernáculo os sacrifícios prescritos. Tendo sempre presente
exaltar e unificar a adoração de Deus, Davi indica seu desejo de
construir uma casa para a arca do pacto de Deus. Mas, Deus declara que
não será Davi, e sim seu filho quem construirá uma casa para Ele, e que
Ele ‘há de estabelecer firmemente o seu trono por tempo indefinido’,
mostrando benevolência como de pai para filho. (17:11-13) Esta promessa
maravilhosa de Deus este pacto para um reino eterno comove a Davi. Seus
agradecimentos transbordam na petição para que o nome de Deus ‘se mostre
fiel e se torne grande por tempo indefinido’ e para que Sua bênção
esteja sobre a casa de Davi. 17:24.
As conquistas de Davi (18:1-21:17). Mediante Davi, Deus cumpre
agora Sua promessa de dar a inteira Terra Prometida à semente de Abraão.
(18:3) Numa rápida série de campanhas, Deus dá “salvação a Davi” onde
quer que ele vá. (18:6) Em esmagadoras vitórias militares, Davi subjuga
os filisteus, abate os moabitas, derrota os zobaítas, obriga os sírios a
pagar tributo e conquista Edom e Amom, bem como Amaleque. Contudo,
Satanás incita Davi a fazer o recenseamento de Israel e assim pecar.
Deus envia uma pestilência como punição, mas misericordiosamente põe fim
à calamidade na eira de Ornã, depois de 70.000 terem sido executados.
Os preparativos de Davi para o templo (21:18-22:19). Davi recebe
um aviso angélico por meio de Gade no sentido “de erigir um altar ao
Senhor Deus na eira de Ornã, o jebuseu”. (21:18) Depois de comprar o
local de Ornã, Davi obedientemente oferece sacrifícios ali e invoca a
Deus, que lhe responde “com fogo desde os céus sobre o altar da oferta
queimada”. (21:26) Davi conclui que Deus deseja que Sua casa seja
construída ali, e inicia o trabalho de modelar os materiais e reuni-los,
dizendo: “Salomão, meu filho, é moço e delicado, e a casa a ser
construída para Deus é para ser extremamente magnífica em belo destaque
para todas as terras. Então, deixa-me fazer preparativos para ele.”
(22:5) Explica a Salomão que Deus não lhe permitiu construir a casa, por
ter ele sido homem de guerras e sangue. Exorta seu filho a ser corajoso
e forte neste empreendimento, dizendo: “Levanta-te e age, e que Deus
mostre estar contigo.” 22:16.
Davi faz preparativos para a adoração de Deus (23:1-29:30).
Faz-se um recenseamento, desta vez pela vontade de Deus, para
reorganizar o sacerdócio e os serviços levíticos. Os serviços levíticos
são descritos aqui com mais pormenores do que em qualquer outra parte
das Escrituras. A seguir, delineiam-se as divisões do serviço do rei.
Perto do fim de seu reinado cheio de eventos, Davi congrega os
representantes da inteira nação, “a congregação de Deus”. (28:8) O rei
se põe de pé. “Ouvi-me, meus irmãos e meu povo.” Ele lhes fala então
sobre o desejo do seu coração, ‘a casa do verdadeiro Deus’.28:12 Na
presença deles, ele comissiona a Salomão: “E tu, Salomão, meu filho,
conhece o Deus de teu pai e serve-o de pleno coração e de alma
agradável; porque Deus sonda todos os corações e discerne toda
inclinação dos pensamentos. Se o buscares, deixar-se-á achar por ti; mas
se o deixares, deitar-te-á fora para sempre. Vê agora, porque o próprio
Deus te escolheu para construíres uma casa como santuário. Sê corajoso e
age.” (28:2, 9, 10, 12) Ele dá ao jovem Salomão os projetos
arquitetônicos pormenorizados recebidos por inspiração de Deus e
contribui uma imensa fortuna pessoal para o projeto de construção 3.000
talentos de ouro e 7.000 talentos de prata, que havia economizado com
este propósito. Diante de tal exemplo esplêndido, os príncipes e o povo
reagem doando ouro no valor de 5.000 talentos e 10.000 daricos e prata
no valor de 10.000 talentos, bem como muito ferro e cobre. (29:3-7) O
povo se regozija com tal privilégio.
Davi louva, então, a Deus em oração, reconhecendo que toda esta oferta
abundante procedeu realmente de Sua mão, e pedindo que Sua contínua
bênção esteja sobre o povo e sobre Salomão. Esta oração final de Davi
atinge sublimes apogeus ao exaltar o reino de Deus e Seu glorioso nome:
“Bendito sejas, ó Senhor, Deus de Israel, nosso pai, de tempo indefinido
a tempo indefinido. Tuas, ó Senhor, são a grandeza, e a potência, e a
beleza, e a excelência, e a dignidade; pois teu é tudo nos céus e na
terra. Teu é o reino, ó Deus, que te ergues como cabeça sobre todos. As
riquezas e a glória existem por tua causa e tu dominas sobre tudo; e na
tua mão há poder e potência, e na tua mão há a capacidade para
engrandecer e para dar força a todos. E agora, ó nosso Deus, te
agradecemos e louvamos o teu belo nome.” 29:10-13.
Salomão é ungido uma segunda vez e começa a sentar-se no “trono do
Senhor” em lugar do idoso Davi. Após um reinado de 40 anos, Davi morre
“numa boa velhice, saciado de dias, de riquezas e de glória”. (29:23,
28) Esdras conclui então Primeiro Crônicas em tom majestoso, frisando a
superioridade do reino de Davi sobre todos os reinos das nações.
POR QUE É PROVEITOSO
Os co-israelitas de Esdras tiraram muito proveito de seu livro.
Tendo esta história compacta com seu ponto de vista revigorante e
otimista, apreciaram as amorosas misericórdias de Deus para com eles, em
virtude da lealdade dele ao pacto do Reino feito com o Rei Davi, e por
causa do Seu próprio nome. Encorajados, puderam empreender a adoração
pura do Senhor Deus com renovado zelo. As genealogias fortaleceram sua
confiança no sacerdócio que oficiava no templo reconstruído.
Primeiro Crônicas foi também de grande proveito para a primitiva
congregação cristã. Mateus e Lucas puderam recorrer às suas genealogias
para provar claramente que Jesus Cristo era o “filho de Davi” e o
Messias com direito legal. (Mat. 1:1-16; Luc. 3:23-38) Ao concluir seu
testemunho final, Estêvão falou sobre o pedido de Davi de construir uma
casa para Deus, e de Salomão executar a construção. Daí, mostrou que “o
Altíssimo não mora em casas feitas por mãos”, indicando que o templo dos
dias de Salomão prefigurava coisas celestiais muito mais gloriosas. Atos
7:45-50.
Que dizer dos verdadeiros cristãos hoje? Primeiro Crônicas deve
edificar e estimular nossa fé. Há muitas coisas que podemos copiar do
brilhante exemplo de Davi. Por sempre consultar a Deus, quão diferente
foi ele de Saul, que não tinha fé! (1 Crô. 10:13, 14; 14:13, 14; 17:16;
22:17-19) Ao trazer a arca de Deus para Jerusalém, em seus salmos de
louvor, em organizar os levitas para o serviço e em seu pedido para
construir uma gloriosa casa para Deus, Davi mostrou que Deus e Sua
adoração estavam em primeiro lugar em sua mente. (16:23-29) Ele não era
queixoso. Não procurava privilégios especiais para si, mas procurava
apenas fazer a vontade de Deus. Assim, quando Deus designou a construção
da casa ao seu filho, instruiu de todo o coração ao filho e deu de seu
tempo, sua energia e sua riqueza na preparação da obra que começaria
após sua morte. (29:3, 9) Deveras, um esplêndido exemplo de devoção! Heb.
11:32.
Depois, há os culminantes capítulos concludentes. A linguagem
magnificente com que Davi louvou a Deus e glorificou seu “belo nome”
deve inspirar em nós alegre apreço pela honra que temos hoje de dar a
conhecer as glórias de Deus e seu Reino por Cristo. (1 Crô. 29:10-13)
Seja a nossa fé e a nossa alegria sempre como a de Davi, ao passo que
expressamos gratidão pelo Reino eterno de Deus. (17:16-27) Deveras,
Primeiro Crônicas faz cintilar mais belamente do que nunca o tema da
Bíblia sobre o Reino de Deus por meio de Sua Semente, deixando-nos na
expectativa de mais revelações emocionantes dos propósitos de Deus.